3 de março de 2011

Não são apenas gotas

Autora : Pri Santos          
 

Manhãs chuvosas me lembram do dia em que fui visitar minha vó, ela era bem velhinha, mas contava histórias fascinantes. Incrível como as pessoas mais velhas possuem um talento para sorrir, mesmo sendo do que eles nunca mais vão poder fazer, eram nesses momentos em que eu entendia o verdadeiro sentido de quando uma pessoa é experiente. Hoje, vi na previsão que vai chover a tarde inteira, assim, ficarei relembrando momentos a qualquer instante. É bom, mas também é ruim, pois foram nesses momentos eu que eu me sentia verdadeiramente viva. O tempo passa, mas as recordações não. Procuro viver intensamente a minha vida, para que um dia, eu possa fazer como minha vó, contar histórias que façam meus netos quererem leva-las consigo sempre, é o que desejo.
Os pingos de chuva me atingem no banco do ônibus, a pessoa que está na frente não fechou a janela, eu poderia até pedir que fechasse, mas creio que não é o melhor, ela está com uma expressão bem mal-humorada, com certeza gotas caindo do céu não possuem o mesmo significado que o meu pra ela. Sao apenas gotas. Chegarei um pouco atrasada a aula, pois meu celular estava descarregado, e eu não o carreguei. Ele nem despertou, sorte que meu pai o fez. Mais um pouco eu perderia o ônibus, só o peguei porque tiveram que fazer um concerto. Meu pai não possui carro, apenas uma bicicleta que vai ao trabalho todos os dias, sem parar, ele nunca faltou. Minha mãe, não trabalha, a não ser uns bicos de costureira que consegue, apesar disso, eles sempre se despedem de mim com um sorriso. Tenho orgulho dos dois, pois nunca me abandonaram, sempre me deram o que preciso, mesmo que com menor custo, mas o amor deles não possui preço.
Chego na escola, entro pelo portão correndo, faz uma forte chuva, ainda bem que possuo um passe que me permite vir de ônibus pra escola, nessas horas em que penso no sofrimento de meu pai. As aulas estão tão monótonas, não consigo muito prestar atenção, o som da chuva me dispersa um pouco, e aos outros alunos também, menos a professora, que permanece com seu discurso sobre a biosfera sem hesitar um minuto.
Enfim, as aulas acabaram, e eu estou aqui, mais uma vez no portão da escola, enquanto os outros esperam seus pais, eu sigo o meu caminho, sozinha, preferi não pegar o ônibus, gosto de ver a cidade, e sentir o cheiro de terra molhada. Enquanto sigo meu trajeto, observando as vitrines, as casas, as pessoas em seus constantes andares rápidos. Ninguém para, apenas anda, somente eu estou vendo elas, e ninguém se importa com isso, elas nem ao menos sabe que estou as observando. A chuva começa a cair forte novamente, e eu sou obrigada a apressar meus passos, não posso chegar tarde em casa. Agora se tornou mais difícil, as ruas estão quase alagadas, as poças não dá mais pra ser puladas, e eu sinto medo, as pessoas entram eu suas casas, outras em seus carros, outras na lojas, e eu continuo ali, molhada, correndo, com frio, sem ninguém. No desespero, eu caio, e começo a chorar, as lágrimas se fundem com as gotas de chuva. Não me lembro de nenhuma história assim que me minha avó tenha me contado. A vida não é que nem os filmes em que de repente alguém te ajuda, ou voce avista seu pai ou sua mae ao longe, e vai correndo abraça-los. Pode até acontecer, mas infelismente pra mim não. Eu levanto, e continuo, pelo menos até um ponto de coletivo, onde poderei esperar a chuva passar um pouco. Sento, naquele banco gelado, pensando na minha vida, nos meus pais, e se eles estão preocupados comigo.  A chuva fica mais fraca, então prossigo meu caminho até chegar em casa. Em direção a minha casa, vejo minha mãe na janela, agora sorrindo, eu sorrio também, e mesmo triste por dentro por não terem ido atras de mim, eu aceno, e quando chego em casa, ela me abraça e pergunta porque demorei tanto. Meu pai, olha pra mim e também dá um sorriso, se agacha e olha nos meus olhos, e diz que eu sou uma boa garota, porque soube se virar sozinha, e que se orgulha de me ter como filha, porque sabe que se uma dia ele não estiver por perto, saberei o que fazer, me pede desculpas, mas diz que aquilo foi bom pra mim. No momento não entendo muito bem, mas retribuo o segundo abraço de meu pai. De certa forma não sinto mais mágoa dele, porque apesar de tudo, eu tenho o que aquelas pessoas não tinham, e nem faziam, alguém que me olhava. Agora já tenho minha primeira história pra se contar, e um dia terei várias assim como minha vó.

2 comentários:

Marcelo disse...

poxa priiiii
vc é mestre nisso heimmm
vo te manda um historia minha pra vc por emaiill
adoreii essa aee
beijoss
by marcelo henrique the president

nathieli disse...

eh pri eu vi que ñ são apenas gotas
passamos por isso amiga rsrsrs
mais tudo bem quem nunca tomou chuva na vida
adorei o seu conto minha amiga tah mto 10.
beijos

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