16 de janeiro de 2011

Movendo montanhas

Autora: Danny Soares
Um porta-retratos , juntamente com algumas vagas lembranças dolorosas; era tudo que eu tinha dos meus pais .
A saudade quase sempre era insuportável, apesar das poucas recordações, mas .. as que eu tinha já eram suficientes para marcar toda minha vida, e toda história que eu iria construir dali em diante .
Lembro de quando eles se foram, não com tanta nitidez, era tão pequena , frágil e vulnerável, uma menina de seis anos de idade, então tudo aquilo parecia tão pequeno.Fui morar com minha irmã mais velha e seu marido depois disso, quase sempre perguntava á ela quando eles voltariam, acho que na esperança de ouvir outra coisa . Mas não,  Mary me dizia a mesma coisa quase sempre, que eles estavam com alguém melhor, o mesmo alguém que criara todos nós, inclusive papai e mamãe, e que meus pais eram pessoas tão boas que ese ser chamado Deus queria te-los por perto.Mary também dizia que ele nos ouvia que bastaria falar e ele atenderia nossas preces.
Passava noites em claro então tentando convencer Deus de devolve-los pra mim, sempre com o mesmo argumento .
" Querido Deus, se o senhor sente tanta falta assim de meus pais e quer te-los por perto, beem... saiba que eu também sinto, por favor traga-os de volta ? "
Conforme os dias passavam minha esperança ia se diluindo, passei a achar Deus tão egoísta; como pode quere-los só para ele ? ele já tem tantas pessoas consigo no céu, e eu ? eu só tinha eles, e agora não tenho ninguém, apenas minha irmã, mas irmã é irmã, e pais são pais .
E conforme os anos, já não mais fazia questão de tantos apelos em vão . Já me conformara com tudo, e tentava viver uma vida normal .
Alguns anos se foram e eu ja tinha uma família, minha família, e tentava a dar a todo custo a eles, o que eu nao tive, e o que me fez tanta falta . Mesmo questionando tantas vezes á Deus, me apeguei a ele, pois mesmo á meio tantas angustias encontrava nele um consolo, e se não fosse assim, não saberia o que fazer, mesmo não sabendo de seus motivos, sabia que ele tinha um motivo para com isso, ou pelo menos pensar nisso era o que me fazia melhor .
Me encontrava feliz, ao menos uma vez em minha viida, estava feliz, pena que durase tão pouco .
Um belo dia como outro qualquer, sai para trabalhar , deixei John com as crianças como de costume. Confiava em John apesar de não ter contato com sua familia, ele fora quem me acolheu e me deu todo carinho que não tive .
Mas aquele dia, ao voltar para casa nao encontrei John, ao invez disso um bilhete na geladeira dizendo o quanto era infeliz,e o quanto eu o sufocava, e que ele não  tinha vocação para paternidade .
Jonh nao voltou  mais !
Criei Kristine, e Arthur só, isso era o que movia minha vida, e não tornava meus dias piores .
Parecia que lutava com um inimigo, mas  a cada batalha, me contentava com a derrota . 
Meus maiores tesouros cresceram, casaram, e formaram uma família. Onde estou ?
em algum lugar em um asilo juntamente com outros velhinhos .
Esperando minha hora chegar, pra conseguir todas as respostas que não tive durante toda minha vida. 






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