10 de setembro de 2010

Lágrimas involuntárias

Autora : Pri Santos
No fim a noite estava escura, o ceú sem estrelas, a lua escondida em nuvens envergonhadas. Com o tempo, seu calor fora desaparecendo, seus susurros evanescentes nao chegavam mais a mim. Eu, ali, parada sem saber o que fazer, fitei em seus olhos que íam perdendo aquele brilho intenso pouco a pouco. Pessoas ? Não sei, talvez as luzes que piscavam sem parar fossem de ambulancias, e as vozes fossem de parentes ou curiosos a fim de se atualizarem de um novo acontecimento. Tudo ao redor se tornara estranho, não conseguira discenir nada, apenas aquele que fora meu amado tendo sua alma levada pra longe de mim. Eu consegui dizer com o unico sopro de voz que tinha "eu te amo", não sei se ele escutou, mas sinto que seu ultimo sorriso fora a prova que sim.
Começou quando eu corria daqueles que com todo seu fôlego me chamavam de "aberração". Eu não queria mais ouvi-los, mas minhas mãos encostadas em meus ouvidos, com pulso firme eram incapazes de fazerem essa vontade realizar-se. Porque? Porque? Simplesmente pelo fato de eu não ter o rosto de modelo, e o corpo de uma manequin tamanho 36 de loja ? Eu nao pertubava ninguém, sempre fiquei em meu mundinho, tolo, mas legal, eu até imitava as 'patis' em frente ao espelho. Tinha fotos do novo ídolo teen nas paredes do meu quarto. Consagrara um caderno de capa preta com corações vermelhos o meu diário sagrado e nele tinha coragem pra ser quem realmente sou, detalhando meus dias futeis.
As minhas roupas eram modernas, meus sapatos conforme a ultima moda combinando com acessórios fashions, pelo menos era o que eu considerava. Eu tinha tudo pra ser popular. Fala sério, ser considerado um geek deveria ser um dom e não um defeito, jogos e bons livros não fazem mal a ninguem. Mas eles, não se importavam, quanto mais pudessem me fazer lembrar do meu pesadelo, do que realmente era, uma garota 'feia', do fato de não ter amigos, de que ninguém gostaria de convidar para ir ao bale seria melhor. Eu corria, cada vez mais, minhas pernas não resistiriam por muito tempo, e não resistiram, ironicamente caí. De joelhos no chão e esperando a humilhação se aproximar, fechei os olhos e senti. Senti, algo me aquecer, roupas leves envolvidas por um cheiro suave, a sensação mais bela do mundo. Os gritos pararam, já não ecoavam pelo pátio. Eu abri os olhos e vi. Olhos que procuravam os meus, enquanto enxugava minhas lágrimas. Eu queria permanecer ali, pra sempre, mas tudo que é bom dura pouco. A sua voz em meus ouvidos, aqueles que queria que não fossem mais capazes de interpretar nenhum som, agora desejava que escutasse intensamente o mesmo, para que pudesse grava-lo em minha mente. Ele me ajudou a levantar, havia mandado os outros não me pertubarem mais. Lógicamente, ficaram indignados, ''como pode ajudar essa aberração" diziam. Desistindo, foram embora. Eu agradeci também surpresa a sua ação, com seu olhar gentil, me acompanhou até a saída e naquele momento dissera o que jamais havia escutado "até mais, LINDA". Eu mais uma vez fiquei inerte, escutei mesmo aquilo ? Aos meus ouvidos um novo som que com certeza também gravaria.
Via-o sempre na escola, de longe, descobri que seu nome era Erick. Sempre cercado de garotas lindas mas na qual não dava bola. Em um dia, guardando meus livros, vi que alguém se aproximou e me cutucou, eu olhei era ele. Erick, lindo como sempre. Pediu para que eu o ajudasse em um trabalho, e claro que aceitei. Ao passar dos dias junto a ele, pude cada vez mais conhece-lo, ao terminar as atividades, falavamos sobre nós, do que gostávamos como livros e jogos e ele sempre tantava me convencer de que eu era linda, mas eu sempre me recusava a aceitar. O trabalho terminou, mas ele achou legal a idéia de continuarmos nos encontrando, destas vezes, seria pra somente conversar sobre o que gostavamos, viamos algum filme, ou discutiamos sobre algum livro, isso era meio estranho, mas eu adorava. Eu me apaixonava mais e mais por ele, por seu sorriso, seu jeito, seus olhos. Erick não tinha vergonha de mim, me cumprimentava na escola, mesmo com os outros olhando com desprezo. Saíamos sempre, eu por algum momento sentia que ele gostava de mim, mas essa idéia fugira da minha mente segundos após relembrar como sou. Perto dele, me sentia especial, porque era o único a me achar especial. Espontâneo e divertido, não ligava quando me atrapalhava ao falar e até mesmo ria das minhas piadas. Esse laço entre ele e eu crescia cada vez mais, iludida ou não eu me deixava levar. Até que um dia, numa noite linda, cheia de estrelas, ele segurou minha mão, fitando meus olhos, disse que me amava, que por todo aquele tempo só queria estar cada vez mais comigo, os livros, os filmes eram somente pretextos. Que não importava o que diziam, que me achava e que eu era realmente linda, que só precisava acreditar em mim mesma. Ao terminar, ele me beijou, e perguntou se sentia o mesmo e se queria compartilhar os meus dias com ele. Eu por minha vez, quis abraça-lo, dizer que também sempre o amei, que por ele me sentiria linda sim, que gostaria de estar cada vez mais do seu lado. Mas lembrei-me que aquilo era impossível, eu nunca fui linda e jamais serei, eu sempre vou ser a aberração, e que um dia ele acabaria descobrindo que estava enganado e me trocaria por outra garota realmente linda. Proferindo palavras que expressassem o que eu verdadeiramente pensava, magoei o seu coração. Contemplei seus olhos se encherem de lágrimas e inconformado, fitando uma vez mais os meus, ouvi palavras que por um instante me fizeram desejar não estar ali. Disse-me que eu era egoísta, que pelo fato de me achar feia, privava-se de ser feliz, que nunca conseguiria nada assim, não queria mais me ver e que um dia, quando descobrisse que eu estava errada sobre mim mesma, lembraria dele e de quanto fui estúpida. A pior noite da minha vida fora aquela e com certeza me lembraria dela novamente. Vendo-o sair, as lágrimas saíam de meus olhos involuntariamente e meu coração já não era mais inteiro.
Ponderando a situação e o que tinha feito, pensei em procura-lo e pedir desculpas, não importando se ele voltasse ou não a conversar comigo. Erick não apareceu mais, durante dias esperava alguma notícia. Atrevi-me a perguntar as suas "amigas", que com deboche apenas me daria a informação de que ele iria mudar pra outra cidade, por completa satisfação própria. Eu realmente me tornei uma aberração, não adiantaria mais nada, não queria ligar ou ir até sua casa, seria mais frustante.
Eu me sentia cada vez mais pior, certamente lembrava do que ele dissera e me castigava cada vez mais por isso, como queria que tudo fosse um sonho ruim.
Claramente, me lembrei de tudo isso, de todos os momentos bons com ele e até mesmo das suas palavras rudes, logo após receber o telefonema anunciando que Erick havia sofrido um acidente a caminho de sua mudança para outra cidade. Corri ao meu pai, desesperada pedi que me levasse até o local do acidente. Quando cheguei, avistei, seu corpo paralisado na maca, sangrando, não reconheceria-o se não soubesse quem ele era. Acariciando com cuidado seu rosto ferido, tentei não chorar mas minha lágrimas caíam em meu rosto. Naquele momento me senti a garota mais linda do mundo, pois percebi que fora amada pela pessoa mais maravilhosa que vi, aquele que me resgatou de um abismo, uni forças para dar-lhe um sorriso de adeus, e dizer "veja como estou linda, me arrumei para te ver" " vai ficar tudo bem" mas ele parecia estar cada vez mais distante, sussurrando que me ama e sempre me amará, vi sua voz desaparecer, seus olhos cansados, agora opacos fecharam-se, e eu dizendo que o amava, alto e forte, sem medo, pedindo desculpas, vi eles levando-o pra longe de mim, a morte já passara por ali, mas não me impediu de ver seu sorriso de adeus.

2 comentários:

jaqueline disse...

da hora em adorei prafalar a vdd li alguns trechos mas é muito locooo kkk
adoroOOO

leticia_10modesto@hotmail.com disse...

eu li o conto todo *-*, e achei mt boom , ameei !

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